sexta-feira, 20 de novembro de 2009

Liberdade...





Hoje, 20 de novembro, dia da consciência negra, eu não podia deixar de escrever sobre esse sofrido povo...
Deixo-vos, pois, esse escrito de Castro Alves e as lágrimas que brotam nos meus olhos, cada vez que o leio...tanto gosto dos poemas dele e tenho em minha alma o desejo que ele tinha...sinto ao lê-lo o desejo de liberdade e igualdade, ainda tão sonhada nos dias de hoje...
Minha dor, mistura-se com a admiração e o agradecimento a um povo tão forte, destemido e vitorioso, que com seu sangue e suor, construiu as páginas da nossa história...
( Abelha de Gibran)




CASTRO ALVES- O POETA DOS ESCRAVOS




"Era um sonho dantesco...

O tombadilhoQue das luzernas avermelha o brilho,
Em sangue a se banhar. Tinir de ferros... estalar do açoite...

Legiões de homens negros como a noite,
Horrendos a dançar...


Negras mulheres, suspendendo às tetas

Magras crianças, cujas bocas pretas
Rega o sangue das mães:

Outras, moças... mas nuas, espantadas,

No turbilhão de espectros arrastadas,
Em ânsia e mágoa vãs.


E ri-se a orquestra, irônica, estridente...

E da ronda fantástica a serpente
Faz doudas espirais... Se o velho arqueja... se no chão resvala,

Ouvem-se gritos... o chicote estala.
E voam mais e mais...


Presa nos elos de uma só cadeia,

A multidão faminta cambaleia,
E chora e dança ali!

Um de raiva delira, outro enlouquece...

Outro, que de martírios embrutece,
Cantando, geme e ri!


No entanto o capitão manda a manobra

E após, fitando o céu que se desdobra
Tão puro sobre o mar, Diz do fumo entre os densos nevoeiros:

"Vibrai rijo o chicote, marinheiros!
Fazei-os mais dançar!..."

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