Hoje, 20 de novembro, dia da consciência negra, eu não podia deixar de escrever sobre esse sofrido povo...
Deixo-vos, pois, esse escrito de Castro Alves e as lágrimas que brotam nos meus olhos, cada vez que o leio...tanto gosto dos poemas dele e tenho em minha alma o desejo que ele tinha...sinto ao lê-lo o desejo de liberdade e igualdade, ainda tão sonhada nos dias de hoje...
Minha dor, mistura-se com a admiração e o agradecimento a um povo tão forte, destemido e vitorioso, que com seu sangue e suor, construiu as páginas da nossa história...
( Abelha de Gibran)

CASTRO ALVES- O POETA DOS ESCRAVOS
"Era um sonho dantesco...
O tombadilhoQue das luzernas avermelha o brilho,
Em sangue a se banhar. Tinir de ferros... estalar do açoite...
Em sangue a se banhar. Tinir de ferros... estalar do açoite...
Legiões de homens negros como a noite,
Horrendos a dançar...
Horrendos a dançar...
Negras mulheres, suspendendo às tetas
Magras crianças, cujas bocas pretas
Rega o sangue das mães:
Rega o sangue das mães:
Outras, moças... mas nuas, espantadas,
No turbilhão de espectros arrastadas,
Em ânsia e mágoa vãs.
Em ânsia e mágoa vãs.
E ri-se a orquestra, irônica, estridente...
E da ronda fantástica a serpente
Faz doudas espirais... Se o velho arqueja... se no chão resvala,
Faz doudas espirais... Se o velho arqueja... se no chão resvala,
Ouvem-se gritos... o chicote estala.
E voam mais e mais...
E voam mais e mais...
Presa nos elos de uma só cadeia,
A multidão faminta cambaleia,
E chora e dança ali!
E chora e dança ali!
Um de raiva delira, outro enlouquece...
Outro, que de martírios embrutece,
Cantando, geme e ri!
Cantando, geme e ri!
No entanto o capitão manda a manobra
E após, fitando o céu que se desdobra
Tão puro sobre o mar, Diz do fumo entre os densos nevoeiros:
Tão puro sobre o mar, Diz do fumo entre os densos nevoeiros:
"Vibrai rijo o chicote, marinheiros!
Fazei-os mais dançar!..."
Fazei-os mais dançar!..."
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