quinta-feira, 19 de novembro de 2009

" Eu gosto das tempestades"


A tarde quente e abafada, nada típica do sul do país, aponta para o metereologicamente anunciado: chuvas fortes e rajadas intensas de vento podem trazer novamente um ciclone extratropical para a Região Sul. Aliás, morar no Sul do País tem essas (des) vantangens. Tem de tudo um pouco: chuva, sol, calor, frio, neve, geada, e até.....tornados e ciclones.

Bem, afora, isso, lembrei-me de uma passagem na apresentação do livro " O Profeta", de nosso querido escritor. Quando criança, aos 8,10 anos de idade, nem sei certo, e morando nas colinas verdejantes do Norte do Líbano, em Bicharré, Gibran correu para a descampada pradaria em meio aos raios que anunciavam uma tempestade.Sua mãe, ensandecida gritava-lhe que fugisse de lá, daquela intempérie. Eis que a frase dita pelo poeta, retrata toda a sua alma liberta, ainda que pueril, já desejosa de novos sonhares. Respondeu ele: " : "Mas, mamãe, eu gosto das tempestades. Gosto delas. Gosto!" (Um de seus livros em árabe seria, anos mais tarde, intitulado Temporais).

É, assim como Gibran, eu também gosto das tempestades...Nelas, nada é como antes....As tempestades, trazem consigo, o ardor da mudança....E, como o próprio poeta dizia: " Faço votos que ameis as tempestades, ao invés de fugir delas..."
( Abelha de Gibran)


A Tempestade


Pássaro e o homem tem essências diferentes.
O homem vive à sombra de leis e tradições por ele inventadas;
o pássaro vive segundo a lei universal que faz girar os mundos.
Acreditar é uma coisa; viver conforme o que se acredita é outra.
Muitos falam como o mar, mas vivem como os pântanos.
Muitos levantam a cabeça acima dos montes;
mas sua alma jaz nas trevas das cavernas.
A civilização é uma arvore idosa e carcomida,
cujas flores são a cobiça e o engano e cujas frutas
são a infelicidade e o desassossego.
Deus criou os corpos para serem os templos das almas.
Devemos cuidar desses templos para que sejam
dignos da divindade que neles mora.
Procurei a solidão para fugir dos homens, de suas leis,
de suas tradições e de seu barulho.
Os endinheirados pensam que o sol e a lua e as estrelas se levantam
dos seus cofres e se deitam nos seus bolsos.
Os políticos enchem os olhos dos povos com poeira
dourada e seus ouvidos com falsas promessas.
Os sacerdotes aconselham os outros,
mas não aconselham a si mesmos,
e exigem dos outros o que não exigem de si mesmos.
Vã é a civilização. E tudo o que está nela é vão.
As descobertas e invenções nada são senão brinquedos
com a mente se diverte no seu tédio.
Cortar as distâncias, nivelar as montanhas,
vencer os mares, tudo isso não passa de
aparências enganadoras, que não alimentam ocoração e nem elevam a alma.
Quanto a esses quebra-cabeças, chamados ciências e artes,
nada são senão cadeias douradas com os quais o homem
se acorrenta, deslumbrados com seu brilho e tilintar.
São os fios da tela que o homem tece desde o inicio
do tempo sem saber que, quando terminar sua obra,
terá construído a prisão dentro da qual ficará preso.
Uma coisa só merece nosso amor e nossa dedicação, uma coisa só...
É o despertar de algo no fundo dos fundos da alma.
Quem o sente não o pode expressar em palavras.
E quem não o sente, não poderá nunca conhecê-lo através de palavras.
Faço votos para que aprendas a amar as tempestades em vez de fugir delas.
Gibran Khalil Gibran (1883-1931)

2 comentários:

  1. A tempestade é um evento que evoca mudanças e nos presenteia realidades novas e felizes no pós vendaval. Quem entende a tempestade como um tempo oportuno, não permanece na infelicidade, pois captou a essência da felicidade no movimento!!! Muito bom texto e significado....

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  2. Como disse, na tempestade, "nada é como antes"...e essa sensação de mudança nos traz esperanças e a certeza de que estamos vivos...

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