sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

É sempre bom lembrar: Somos Únicos!

É impressionate a necessidade que as pessoas têm de autoafirmar-se num grupo social ou num contexto profissional e emocional.
Não que isso seja ruim, penso até que seja algo saudável na medida em que todos nós necessitamos compreender a nossa identidade. E, justamente nessa busca pelo que o faria diferente dos outros indivíduos, dando-lhe uma pintura única, feito raro quadro pintado pelo Criador, é que os homens se perdem no seu orgulho e na sua prepotência.
Esse texto é muito interessante, e cabe aqui, valiosos questionamentos, mesmo como subsídio para um trabalho reflexivo àqueles que gerenciam grupos de pessoas.
Meu abraço e luz em nossas vidas
Abelha de Gibran





A Unicidade do Ser Humano


"Cada um de nós tem o seu próprio poder. Desenvolver nossos talentos e nossa potencialidade nos mostra a capacidade humana de superação" A autoconfiança, ao contrário do que muitos pensam, não é ser maior ou melhor do que as outras pessoas. Não tem nada a ver com arrogância ou superioridade. É saber que cada um de nós tem um núcleo de força interior que nos permite enfrentar situações difíceis e nos torna aptos a viver. Autoconfiança é tomar posse de si mesmo, independentemente de nossas qualidades ou defeitos. É tomar consciência de nossa singularidade, de nossa individualidade, do nosso querer, da nossa vida. A autoconfiança se desenvolve a partir do nosso crescimento. Cada um de nós tem o seu próprio poder. Desenvolver nossos talentos, nossa potencialidade, além de nos fazer felizes, nos mostra a capacidade humana de superação. Do ponto de vista cultural, fomos minados na nossa autoconfiança desde cedo. As críticas constantes, a ênfase em nossos pontos fracos nos tornaram pessoas frágeis, medrosas e tendentes à sensação de fracasso. Nós nos sentimos de acordo com o que pensamos de nós mesmos. O diálogo interno de autocensura, de muita exigência nos torna tímidos, recuados diante da vida e propensos à tristeza quando o mundo não nos atende da maneira que gostaríamos ou quando as dificuldades da vida aparecem. Não são poucas as pessoas que falam mal de si próprias: - Não vou dar conta, sou muito fraco, não tenho força de vontade, tenho um gênio difícil, não consigo nada que quero. A autoconfiança é como uma bateria para o carro. Quando está bem carregada, o carro funciona bem. Quando está com pouca carga, o carro engasga ou não funciona direito. De que maneira podemos carregar ou descarregar a nossa bateria vital, nosso entusiasmo? Há alguns mecanismos que corroem nossa autoconfiança. O primeiro deles é nossa constante frustração. Idealizamos o mundo e as pessoas. Enchemos nossa cabeça com um monte de "deverias" e nos irritamos quando as pessoas, nós e as coisas não são como deveriam ser. A culpa constante por nossos erros, a sensação de ofendidos, magoados, humilhados e incompreendidos é a conseqüência do nosso perfeccionismo. Outro mecanismo, conseqüência do primeiro, é a autopiedade. Quantas vezes sentimos pena de nós mesmos. A autopiedade é o poder dos indefesos. É um mecanismo que, além de culpar os outros, descarrega nossa força vital e nos faz desanimados e, em grau mais intenso, deprimidos. A postura da vítima, sempre se queixando do mundo, o pessimismo de quem só vê o lado escuro dos fatos, para quem nada está bom, é característica das pessoas que, ao se sentirem fracas, querem se compensar apontando as falhas do mundo. Outro ladrão da autoconfiança é a indecisão crônica. O medo de errar nos paralisa e nos impede de arriscar. Muitos de nós temos apenas um critério de funcionamento: o certo e o errado. Estamos na vida para viver ou para não errar? O erro é a saída fora de um padrão determinado. Nunca será possível passarmos nossa vida sem cometer erros. Aprender com os erros é muito mais saudável do que nos esforçarmos para jamais errar. O medo da crítica, querer agradar sempre, a necessidade de aprovação nos oprime e nos leva à indecisão. A comparação com as outras pessoas é outra forma de perdermos nossa autoconfiança. Sempre haverá pessoas melhores e piores do que nós. Não estamos no mundo para sermos mais ou menos do que alguém, mas para sermos cada vez melhores do que somos. Desenvolver e cuidar da nossa alegria, aceitar o fato de sermos únicos, perdoar-se constantemente pelas falhas, ter um desejo genuíno de melhorar a cada dia, aumentar a capacidade de se amar e amar os outros é o único caminho de conexão com nosso poder interior, nossa autoconfiança. Todos podemos desabrochar aquilo que somos.

quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

Uma flor Rara


"É preciso amar as pessoas como se não houvesse amanhã..."





Havia uma jovem muito rica, que tinha tudo: um marido maravilhoso, filhos perfeitos, um emprego que lhe pagava muitíssimo bem, uma família unida.O estranho é que ela não conseguia conciliar tudo isso, o trabalho e os afazeres lhe ocupavam todo o tempo e a sua vida estava deficitária em algumas áreas.Se o trabalho lhe consumia muito tempo, ela tirava dos filhos,se surgiam problemas, ela deixava de lado o marido...
E assim, as pessoas que ela amava eram sempre deixadas para depois.Até que um dia, seu pai, um homem muito sábio, lhe deu um presente: uma flor muito cara e raríssima, da qual havia um apenas exemplar em todo o mundo.
E disse à ela: - Filha, esta flor vai te ajudar muito mais do que você imagina! Você terá apenas que regá-la e podá-la de vez em quando, ás vezes conversar um pouquinho com ela, e ela te dará em troca esse perfume maravilhoso e essas lindas flores.
A jovem ficou muito emocionada, afinal a flor era de uma beleza sem igual.Mas o tempo foi passando, os problemas surgiam, o trabalho consumia todo o seu tempo, e a sua vida, que continuava confusa, não lhe permitia cuidar da flor. Ela chegava em casa,olhava a flor e as flores ainda estavam, lá, não mostravam sinal de fraqueza ou morte, apenas estavam lá, lindas, perfumadas.Então ela passava direto. Até que um dia, sem mais nem menos, a flor morreu.Ela chegou em casa e levou um susto!Estava completamente morta, suas raízes estavam ressecadas, suas flores caídas e suas folhas amarelas.
A jovem chorou muito, e contou a seu pai o que havia acontecido. Seu pai então respondeu:
- Eu já imaginava que isso aconteceria, e eu não posso te dar outra flor,porque não existe outra igual a essa, ela era única, assim como seus filhos, seu marido e sua família. Todos são bênçãos que o Senhor te deu, mas você tem que aprender a regá-los, podá-los e dar atenção a eles, pois assim como a flor, os sentimentos também morrem. Você se acostumou a ver a flor sempre lá, sempre florida, sempre perfumada, e se esqueceu de cuidar dela.
Cuide das pessoas que você ama!
E você? Tem cuidado das bênçãos que Deus tem lhe dado?
Lembre-se da flor, pois como ela são as bênçãos do Senhor: Ele nos dá, mas nós é que temos que cuidar delas.

segunda-feira, 30 de novembro de 2009

Um abraço faz tão bem

Têm dias que tudo o que a gente queria era apenas " um abraço"


Abraço



De repente me deu vontade de um abraço


Uma vontade de entrelaço, de proximidade, de amizade, sei lá


Talvez um aconchego que enfatize a vida e amenize as dores


Deu vontade de poder rever a saudade de um abraço


Só sei que me deu vontade desse abraço


Vinícius de Moraes

quinta-feira, 26 de novembro de 2009

" Tudo que cala fala mais alto ao coração..."



A Voz Do Silêncio
Pior do que a voz que cala,é um silêncio que fala.Simples, rápido! E quanta força!
Imediatamente me veio à cabeça situações em que o silêncio me disse verdades terríveis,pois você sabe, o silêncio não é dado a amenidades.
Um telefone mudo. Um e-mail que não chega.Um encontro onde nenhum dos dois abre a boca.Silêncios que falam sobre desinteresse,esquecimento, recusas.Quantas coisas são ditas na quietude,depois de uma discussão.
O perdão não vem, nem um beijo,nem uma gargalhadapara acabar com o clima de tensão.Só ele permanece imutável,o silêncio, a ante-sala do fim.
É mil vezes preferível uma voz que diga coisas que a gente não quer ouvir,pois ao menos as palavras que são ditas indicam uma tentativa de entendimento.Cordas vocais em funcionamento articulam argumentos,expõem suas queixas, jogam limpo.
Já o silêncio arquiteta planos que não são compartilhados.Quando nada é dito, nada fica combinado.
Quantas vezes, numa discussão histérica,ouvimos um dos dois gritar:"Diz alguma coisa, mas não ficaaí parado me olhando!" É o silêncio de um, mandando más notícias para o desespero do outro.
É claro que há muitas situações em que o silêncio é bem-vindo.
Para um cara que trabalha com uma britadeira na rua,o silêncio é um bálsamo.Para a professora de uma creche,o silêncio é um presente.Para os seguranças de um show de rock,o silêncio é um sonho.
Mesmo no amor,quando a relação é sólida e madura,o silêncio a dois não incomoda,pois é o silêncio da paz.
O único silêncio que perturba,é aquele que fala.E fala alto.É quando ninguém bate à nossa porta,não há emails na caixa de entrada não há recados na secretária eletrônica e mesmo assim, você entende a mensagem...

Martha Medeiros

segunda-feira, 23 de novembro de 2009

Um poema


A manhã mais clara no meu Sul...O Sol é mesmo fonte de vida...Tudo fica mais ameno, mais sereno, mas latente quando ele se faz presença...Têm sido castigante a chuva cá no meu Sul. Mas, muito mais do que o frio das gotas grossas que foram impiedosas, é preciso que se fale dos "frios" que deixamos se achegar na nossa alma....Não, não deixo mais o frio me castigar. Resolvi que o enfrento, que desafio, ainda que o meu modo de luta seja para tantos incompreensível. Luto resignada, e acredite, é a mais corajosa forma de luta. Que o Sol traga novos ânimos. Luz para nós!



Eis, então, que lhes deixo um escrito de uma alma que , como essa minha, insana, tanto ousou sonhar:




"Minha alma tem o peso da luz.

Tem o peso da música.

Tem o peso da palavra nunca dita, prestes quem sabe a ser pronunciada.

Tem o peso de uma lembrança.

Tem o peso de uma saudade.

Tem o peso de um olhar.

Pesa como pesa uma ausência.

E a lágrima que não se chorou.

Tem o imaterial peso da minha solidão no meio de outros."

(Clarice Lispector)

domingo, 22 de novembro de 2009

Assim falava Nietzsche





As convicções são inimigas mais perigosas da verdade do que as mentiras..







Torna-te quem tu és.

A objeção, o desvio, a desconfiança alegre, a vontade de troçar são sinais de saúde: tudo o que é absoluto pertence à patologia.Aquele que luta com monstros deve acautelar-se para não tornar-se também um monstro. Quando se olha muito tempo para um abismo, o abismo olha para você.E se tu olhares, durante muito tempo, para um abismo, o abismo também olha para dentro de ti.Existo, logo penso.Os leitores extraem dos livros,consoante o seu carácter,a exemplo da abelha ou da aranha que,do suco das flores retiram,uma o mel,a outra o seu veneno.Toda a arte e toda a filosofia podem ser consideradas como remédios da vida, ajudantes do seu crescimento ou bálsamo dos combates: postulam sempre sofrimento e sofredores.A vantagem de ter péssima memória é divertir-se, muitas vezes, com as mesmas coisas boas como se fosse a primeira vez.Você vive hoje uma vida que gostaria de viver por toda a eternidade?"Odeio as almas estreitas, sem bálsamo e sem veneno, feitas sem nada de bondade e sem nada de maldade."O gosto de minha morte na boca deu-me perspectiva e coragem. O importante é a coragem de ser eu mesmo.Há homens que já nascem póstumos.Aquilo que não me destrói fortalece-me. Se minhas loucuras tivessem explicações, não seriam loucuras.Um político divide os seres humanos em duas classes: instrumentos e inimigos.E aqueles que foram vistos dançando foram julgados insanos por aqueles que não podiam escutar a música.Não há nada que deprima mais o ser humano (mais depressa) do que a paixão do ressentimento.

sábado, 21 de novembro de 2009

Poemas do mundo Árabe

Eu Sou Tu
( Rumi Amado)

Viemos girando do nada

Espalhando estrelas como pó

As estrelas puseram-se em círculo

E nós ao centro, dançamos com elas

Como a pedra do moinho em torno de Deus

Gira a roda do céu

Segura um raio dessa roda e terás a mão decepada

Girando e girando essa roda dissolve todo e qualquer apego

Não estivesse apaixonada, ela mesma gritaria: 'Basta!'Até quando há de seguir esse giro?

Cada átomo gira desnorteado

Mendigos circulam entre as mesas

Cães rondam um pedaço de carne

O amante gira em torno de seu próprio coração

Envergonhado ante tanta beleza, giro ao redor de minha vergonha

Vem. Ouve a música do Sama

Vem. Imite ao som dos tambores

Aqui celebramos

Somos todos a verdade

Em êxtase estamos

Embriagados sim, mas de um vinho que não se colhe na videira

O que quer que se pense de nós, em nada parecerá o que somos

Giramos e giramos em êxtase

Esta é a noite do Sama

Há luz agora!Luz! Luz!

Eis o amor verdadeiro que diz à mente adeus

Este é o dia do adeus.

Adeus! Adeus!

Todo coração que arde nessa noite é amigo da música

Ardendo por teus lábios meu coração transborda de minha boca
Silêncio

Silêncio

Mas feito de pensamento, afeto e paixão

O que resta é nada além de carne e ossos

Por que nos falam de templo de oração, de atos piedosos?

Somos a caça e o caçador

Outono e primavera, noite e dia

O visível e o invisível

Somos o tesouro do espírito

Somos a alma do mundo

Livres do peso que vergasta o corpo

Prisioneiros não somos do tempo nem do espaço

Nem mesmo da terra em que pisamos

No amor fomos gerados

No amor nascemos

Do Amor que fizemos

Traçamos o reencontro.

A menina e o Pássaro encantado - Ruben Alves

Era uma vez uma menina que tinha um pássaro como seu melhor amigo.Ele era um pássaro diferente de todos os demais: era encantado.Os pássaros comuns, se a porta da gaiola ficar aberta, vão-se embora para nunca mais voltar. Mas o pássaro da menina voava livre e vinha quando sentia saudades… As suas penas também eram diferentes. Mudavam de cor. Eram sempre pintadas pelas cores dos lugares estranhos e longínquos por onde voava. Certa vez voltou totalmente branco, cauda enorme de plumas fofas como o algodão…— Menina, eu venho das montanhas frias e cobertas de neve, tudo maravilhosamente branco e puro, brilhando sob a luz da lua, nada se ouvindo a não ser o barulho do vento que faz estalar o gelo que cobre os galhos das árvores. Trouxe, nas minhas penas, um pouco do encanto que vi, como presente para ti…E, assim, ele começava a cantar as canções e as histórias daquele mundo que a menina nunca vira. Até que ela adormecia, e sonhava que voava nas asas do pássaro.Outra vez voltou vermelho como o fogo, penacho dourado na cabeça.— Venho de uma terra queimada pela seca, terra quente e sem água, onde os grandes, os pequenos e os bichos sofrem a tristeza do sol que não se apaga. As minhas penas ficaram como aquele sol, e eu trago as canções tristes daqueles que gostariam de ouvir o barulho das cachoeiras e ver a beleza dos campos verdes.E de novo começavam as histórias. A menina amava aquele pássaro e podia ouvi-lo sem parar, dia após dia. E o pássaro amava a menina, e por isto voltava sempre.Mas chegava a hora da tristeza.— Tenho de ir — dizia.— Por favor, não vás. Fico tão triste. Terei saudades. E vou chorar…— E a menina fazia beicinho…— Eu também terei saudades — dizia o pássaro. — Eu também vou chorar. Mas vou contar-te um segredo: as plantas precisam da água, nós precisamos do ar, os peixes precisam dos rios… E o meu encanto precisa da saudade. É aquela tristeza, na espera do regresso, que faz com que as minhas penas fiquem bonitas. Se eu não for, não haverá saudade. Eu deixarei de ser um pássaro encantado. E tu deixarás de me amar.Assim, ele partiu. A menina, sozinha, chorava à noite de tristeza, imaginando se o pássaro voltaria. E foi numa dessas noites que ela teve uma ideia malvada: “Se eu o prender numa gaiola, ele nunca mais partirá. Será meu para sempre. Não mais terei saudades. E ficarei feliz…”Com estes pensamentos, comprou uma linda gaiola, de prata, própria para um pássaro que se ama muito. E ficou à espera. Ele chegou finalmente, maravilhoso nas suas novas cores, com histórias diferentes para contar. Cansado da viagem, adormeceu. Foi então que a menina, cuidadosamente, para que ele não acordasse, o prendeu na gaiola, para que ele nunca mais a abandonasse. E adormeceu feliz.Acordou de madrugada, com um gemido do pássaro…— Ah! menina… O que é que fizeste? Quebrou-se o encanto. As minhas penas ficarão feias e eu esquecer-me-ei das histórias… Sem a saudade, o amor ir-se-á embora…A menina não acreditou. Pensou que ele acabaria por se acostumar. Mas não foi isto que aconteceu. O tempo ia passando, e o pássaro ficando diferente. Caíram as plumas e o penacho. Os vermelhos, os verdes e os azuis das penas transformaram-se num cinzento triste. E veio o silêncio: deixou de cantar.Também a menina se entristeceu. Não, aquele não era o pássaro que ela amava. E de noite ela chorava, pensando naquilo que havia feito ao seu amigo…Até que não aguentou mais.Abriu a porta da gaiola.— Podes ir, pássaro. Volta quando quiseres…— Obrigado, menina. Tenho de partir. E preciso de partir para que a saudade chegue e eu tenha vontade de voltar. Longe, na saudade, muitas coisas boas começam a crescer dentro de nós. Sempre que ficares com saudade, eu ficarei mais bonito. Sempre que eu ficar com saudade, tu ficarás mais bonita. E enfeitar-te-ás, para me esperar…E partiu. Voou que voou, para lugares distantes. A menina contava os dias, e a cada dia que passava a saudade crescia.— Que bom — pensava ela — o meu pássaro está a ficar encantado de novo…E ela ia ao guarda-roupa, escolher os vestidos, e penteava os cabelos e colocava uma flor na jarra.— Nunca se sabe. Pode ser que ele volte hoje…Sem que ela se apercebesse, o mundo inteiro foi ficando encantado, como o pássaro. Porque ele deveria estar a voar de qualquer lado e de qualquer lado haveria de voltar. Ah!Mundo maravilhoso, que guarda em algum lugar secreto o pássaro encantado que se ama…E foi assim que ela, cada noite, ia para a cama, triste de saudade, mas feliz com o pensamento: “Quem sabe se ele voltará amanhã….”E assim dormia e sonhava com a alegria do reencontro.

AMOR IMORTAL - De Letícia Tompson

O amor não morre. Ele se cansa muitas vezes. Ele se refugia em algum recanto da alma tentando se esconder do tédio que mata os relacionamentos.
Não é preciso confundir fadiga com desamor. O amor ama. Quem ama, ama sempre. O que desaparece é a musicalidade do sentimento. A causa? O cotidiano, o fazer as mesmas coisas, o fato de não haver mais mistérios, de não haver mais como surpreender o outro. São as mesmices: mesmos carinhos, mesmas palavras, mesmas horas... o outro já sabe!
Falta magia. Falta o inesperado.
O fato de não se ter mais nada a conquistar mostra o fim do caminho. Nada mais a fazer. Muitas pessoas se acomodam e tentam se concentrar em outras coisas, atividades que muitas vezes não têm nada a ver com relacionamentos. Outras procuram aventuras. Elas querem, a todo custo, se redescobrir vivas; querem reencontrar o que julgam perdido: o prazer da paixão, o susto do coração batendo apressado diante de alguém, o sono perdido em sonhos intermináveis e desejos infindos.
Não é possível uma vida sem amor. Ou com amor adormecido.
Se você ama alguém, desperte o amor que dorme! Vez ou outra, faça algo extraordinário. Faça loucuras, compre flores, ofereça um jantar, ponha um novo perfume...
Não permita que o amor durma enquanto você está acordado sem saber o que fazer da vida. Reconquiste! Acredite: reconquistar é uma tarefa muito mais árdua do que conquistar, pois vai exigir um esforço muito maior. Mas... sabe de uma coisa? Vale a pena! Vale muito a pena!

sexta-feira, 20 de novembro de 2009

Liberdade...





Hoje, 20 de novembro, dia da consciência negra, eu não podia deixar de escrever sobre esse sofrido povo...
Deixo-vos, pois, esse escrito de Castro Alves e as lágrimas que brotam nos meus olhos, cada vez que o leio...tanto gosto dos poemas dele e tenho em minha alma o desejo que ele tinha...sinto ao lê-lo o desejo de liberdade e igualdade, ainda tão sonhada nos dias de hoje...
Minha dor, mistura-se com a admiração e o agradecimento a um povo tão forte, destemido e vitorioso, que com seu sangue e suor, construiu as páginas da nossa história...
( Abelha de Gibran)




CASTRO ALVES- O POETA DOS ESCRAVOS




"Era um sonho dantesco...

O tombadilhoQue das luzernas avermelha o brilho,
Em sangue a se banhar. Tinir de ferros... estalar do açoite...

Legiões de homens negros como a noite,
Horrendos a dançar...


Negras mulheres, suspendendo às tetas

Magras crianças, cujas bocas pretas
Rega o sangue das mães:

Outras, moças... mas nuas, espantadas,

No turbilhão de espectros arrastadas,
Em ânsia e mágoa vãs.


E ri-se a orquestra, irônica, estridente...

E da ronda fantástica a serpente
Faz doudas espirais... Se o velho arqueja... se no chão resvala,

Ouvem-se gritos... o chicote estala.
E voam mais e mais...


Presa nos elos de uma só cadeia,

A multidão faminta cambaleia,
E chora e dança ali!

Um de raiva delira, outro enlouquece...

Outro, que de martírios embrutece,
Cantando, geme e ri!


No entanto o capitão manda a manobra

E após, fitando o céu que se desdobra
Tão puro sobre o mar, Diz do fumo entre os densos nevoeiros:

"Vibrai rijo o chicote, marinheiros!
Fazei-os mais dançar!..."

quinta-feira, 19 de novembro de 2009

" Eu gosto das tempestades"


A tarde quente e abafada, nada típica do sul do país, aponta para o metereologicamente anunciado: chuvas fortes e rajadas intensas de vento podem trazer novamente um ciclone extratropical para a Região Sul. Aliás, morar no Sul do País tem essas (des) vantangens. Tem de tudo um pouco: chuva, sol, calor, frio, neve, geada, e até.....tornados e ciclones.

Bem, afora, isso, lembrei-me de uma passagem na apresentação do livro " O Profeta", de nosso querido escritor. Quando criança, aos 8,10 anos de idade, nem sei certo, e morando nas colinas verdejantes do Norte do Líbano, em Bicharré, Gibran correu para a descampada pradaria em meio aos raios que anunciavam uma tempestade.Sua mãe, ensandecida gritava-lhe que fugisse de lá, daquela intempérie. Eis que a frase dita pelo poeta, retrata toda a sua alma liberta, ainda que pueril, já desejosa de novos sonhares. Respondeu ele: " : "Mas, mamãe, eu gosto das tempestades. Gosto delas. Gosto!" (Um de seus livros em árabe seria, anos mais tarde, intitulado Temporais).

É, assim como Gibran, eu também gosto das tempestades...Nelas, nada é como antes....As tempestades, trazem consigo, o ardor da mudança....E, como o próprio poeta dizia: " Faço votos que ameis as tempestades, ao invés de fugir delas..."
( Abelha de Gibran)


A Tempestade


Pássaro e o homem tem essências diferentes.
O homem vive à sombra de leis e tradições por ele inventadas;
o pássaro vive segundo a lei universal que faz girar os mundos.
Acreditar é uma coisa; viver conforme o que se acredita é outra.
Muitos falam como o mar, mas vivem como os pântanos.
Muitos levantam a cabeça acima dos montes;
mas sua alma jaz nas trevas das cavernas.
A civilização é uma arvore idosa e carcomida,
cujas flores são a cobiça e o engano e cujas frutas
são a infelicidade e o desassossego.
Deus criou os corpos para serem os templos das almas.
Devemos cuidar desses templos para que sejam
dignos da divindade que neles mora.
Procurei a solidão para fugir dos homens, de suas leis,
de suas tradições e de seu barulho.
Os endinheirados pensam que o sol e a lua e as estrelas se levantam
dos seus cofres e se deitam nos seus bolsos.
Os políticos enchem os olhos dos povos com poeira
dourada e seus ouvidos com falsas promessas.
Os sacerdotes aconselham os outros,
mas não aconselham a si mesmos,
e exigem dos outros o que não exigem de si mesmos.
Vã é a civilização. E tudo o que está nela é vão.
As descobertas e invenções nada são senão brinquedos
com a mente se diverte no seu tédio.
Cortar as distâncias, nivelar as montanhas,
vencer os mares, tudo isso não passa de
aparências enganadoras, que não alimentam ocoração e nem elevam a alma.
Quanto a esses quebra-cabeças, chamados ciências e artes,
nada são senão cadeias douradas com os quais o homem
se acorrenta, deslumbrados com seu brilho e tilintar.
São os fios da tela que o homem tece desde o inicio
do tempo sem saber que, quando terminar sua obra,
terá construído a prisão dentro da qual ficará preso.
Uma coisa só merece nosso amor e nossa dedicação, uma coisa só...
É o despertar de algo no fundo dos fundos da alma.
Quem o sente não o pode expressar em palavras.
E quem não o sente, não poderá nunca conhecê-lo através de palavras.
Faço votos para que aprendas a amar as tempestades em vez de fugir delas.
Gibran Khalil Gibran (1883-1931)

quarta-feira, 18 de novembro de 2009

A Cotovia


"A cotovia chama pela cotovia. Mas a águia remonta para o alto, e não se demora para escutar a canção. Ensina-me o amor de si mesmo, atingindo sua plenitude no culto do homem, e a sua satisfação na escravatura do homem. Mas meu amor por mim mesmo, é sem limites e sem medida..." (Fragmento de :"Os Deuses da Terra" - Gibran Khalil Gibran)


Muitas foram as vezes que li e reli esse fragmeto de Gibran. Gosto tanto de pássaros...Pássaros livres, libertos, voando alto na imensidão dos céus; voando em meio aos prados e campinas...
Sei que minha alma é feito pássaro, que voa liberta, vaga por pradarias e repousa no manto lento do ocaso que se achega...
( Abelha de Gibran)


Segundo o dicionário de símbolos de jung, a simbologia da cotovia é que esse delicado pássaro é símbolo da união entre os reinos terrestre e celestial.; é também a imagem do desejo de encontro com o transcendente.

terça-feira, 17 de novembro de 2009

A Mulher Libanesa




Infinitamente feliz me senti ao receber a notícia de que criaste esse lindo local de partilha. Imensamente feliz me senti ao ler, nas suas páginas iniciais, Gibran.
Maravilhoso, inigualável, único e , sem dúvida, o maior poeta do mundo árabe, Gibran foi sonho e saudade;desejos revelados e contidos em versos que saíram da alma...Salve, pois, Gibran!
Natal, querido, obrigada pela partilha!
Sou descendente de libaneses. Na verdade, não me fixo muito nessa idéia de descendência, até porque, tal a famosa e célebre frase diz, penso que ; "existem mais mistérios entre o céu e a terra, do que julga nossa vã filosofia", risos....Acredito que hoje estamos, aqui, amanhã, noutro plano, enfim...Mas, como descendente da mesma terra do poeta, queria dizer que , embora a mulher no mundo árabe não tenha muita voz, é tão bonito ver a pureza e solidez de alguns valores em que eles acreditam. Não compactuo com muita coisa: contesto, questiono, fico indignada, oro pela paz e pela igualdade. Porém, é fato que, se alguns valores fossem resgatados, algumas coisas do "antiquado" revividas, o mundo talvez estivesse diferente....Como mulher árabe, libanesa, deixo-vos o escrito do poeta....Muita luz em nossas vidas...( Abelha de Gibran)


A MULHER LIBANESA

“A mulher libanesa distingue-se das mulheres de outras nações pela sua simplicidade. A maneira pela qual é orientada restringe sua evolução educacional, e se torna um obstáculo para seu futuro. Também por essa razão, ela se vê questionando-se a si mesma sobre a inclinação e os mistérios de seu coração. A jovem libanesa é como a fonte que brota do coração da terra, e segue seu curso através de depressões sinuosas, mas, como não consegue achar uma saída para o mar, transforma-se num lago calmo que reflete em sua superfície distendida as estrelas reluzentes e a lua brilhante..."(Gibran , no livro Almas Rebeldes)

Biografia de Gibran


Biografia do maior poeta do mundo árabe: GIBRAN KHALIL GIBRAN

1883 - Nasceu em 6 de dezembro, em Bicharre, nas montanhas do Líbano, a uma pequena distância dos cedros milenares. Tinha oito anos quando, um dia, um temporal se abate sobre sua cidade. Gibran olha, fascinado, para a natureza em fúria e, estando sua mãe ocupada, abre a porta e sai a correr com os ventos. Quando a mãe, apavorada, o alcança e repreende, ele lhe responde com todo o ardor de suas paixões nascentes: "Mas, mamãe, eu gosto das tempestades. Gosto delas. Gosto!" (Um de seus livros em árabe será intitulado Temporais).

1894 - Emigra para os Estados Unidos, com a mãe, o irmão Pedro e as duas irmãs Mariana e Sultane. Vão morar em Boston. O pai permanece em Bicharre.

1898/1902 - Vota ao Líbano para completar seus estudos árabes. Matricula-se no Colégio da Sabedoria, em Beirute. Ao diretor, que procura acalmar sua ambição impaciente, dizendo-lhe que uma escada deve ser galgada degrau por degrau, Gibran responde: "Mas as águias não usam escadas!"

1908/1910 - Em Paris. Estuda na Académie Julien. Trabalha freneticamente. Freqüenta museus, exposições, bibliotecas. Conhece Auguste Rodin. Uma de suas telas é escolhida para a Exposição das Belas-Artes de 1910. Nesse ínterim, morrem seu pai e sua irmã Sultane.

1918/1931 - Gibran deixa, pouco a pouco, de escrever em árabe e dedica-se ao inglês, no qual produz também oito livros: 1918, O Louco; 1920, O Precursor; 1923, O Profeta; 1927, Areia e Espuma; 1928, Jesus, o Filho do Homem; 1931, Os Deuses da Terra. (Após sua morte serão publicados mais dois: 1932, O Errante; 1933, O Jardim do Profeta.) Todos os livros em inglês de Gibran foram lançados por Alfred A. Knopf, dinâmico editor norte-americano com inclinação para descobrir e lançar novos talentos. Ao mesmo tempo em que escreve, Gibran se dedica a desenhar e pintar. Sua arte, inspirada pelo mesmo idealismo que lhe inspirou os livros, distingue-se pela beleza e a pureza das formas. Todos os seus livros em inglês foram por ele ilustrados com desenhos evocativos e místicos, de interpretação às vezes difícil, mas de profunda inspiração. Seus quadros foram expostos várias vezes com êxito em Boston e Nova York. Seus desenhos de personalidades históricas são também célebres.
( Com carinho, Abelha)

FRASES DE KAHLIL GIBRAN
Quando o amor vos fizer sinal, segui-o; ainda que os seus caminhos sejam duros e escarpados. E quando as suas asas vos envolverem, entregai-vos; ainda que a espada escondida na sua plumagem vos possa ferir.

...Ide para os vossos campos e jardins e aprendereis que o prazer da abelha consiste em retirar o mel da flor.Mas também a flor tem prazer em dar o seu mel à abelha.Pois para a abelha a flor é uma fonte de vida. E para a flor a abelha é mensageira de amor.E, para ambas, abelha e flor, o dar e o receber de prazer é uma necessidade e um êxtase.

Uma vida sem amor é como árvores sem flores e sem frutos. E um amor sem beleza é como flores sem perfume. Vida,amor,beleza: eis a minha trindade.

A música é a linguagem dos espíritos.
A neve e as tempestades matam as flores, mas nada podem contra as sementes.
A sabedoria é a única riqueza que os tiranos não podem expropriar.
A simplicidade é o último degrau da sabedoria.
Alguns ouvem com as orelhas,outros com o estômago, outros ainda com o bolso e há aqueles que não ouvem absolutamente nada.
Aprendi o silêncio com os faladores, a tolerância com os intolerantes, a bondade com os maldosos; e, por estranho que pareça, sou grato a esses professores.
Aquele quem nunca viu a tristeza, nunca reconhecerá a alegria.

Brincando agora de esconder, se te escondesses no meu coração,não seria difícil encontrar-te. Mas se te escondesses dentro de tua própria casca,então seria inútil procurar por ti.
Cada um que passa em nossa vida, passa sozinho, pois cada pessoa é única e nenhuma substitui a outra. Cada um que passa em nossa vida, passa sozinho, mas quando parte, nunca vai só nem nos deixa a sós. Leva um pouco de nós, deixa um pouco de si mesmo. Há os que levam muito, mas há os que não levam nada.

Dizeis: darei só aos que precisam. Mas os vossos pomares não dizem assim; dão para continuar a viver, pois reter é perecer.
Mãe: a palavra mais bela pronunciada pelo ser humano.
Nenhum homem poderá revelar-vos nada senão o que já está meio adormecido na aurora do vosso entendimento.

No amor, fiquem juntos, mas nao tao juntos, pois os pilares do templo ficam bastantes afastados e o carvalho e o cipreste nao crescem um na sombra do outro.
Numa só semente de trigo há mais vida do que num montão de feno.
O amigo é a resposta aos teus desejos. Mas não o procures para matar o tempo! Procura-o sempre para as horas vivas. Porque ele deve preencher a tua necessidade, mas não o teu vazio.

Para entender o coração e a mente de uma pessoa,não olhe para o que ela já conseguiu,mas para o que ela aspira.
Pode contar seus segredos ao vento, mas depois, não vá culpá-lo por contar tudo às árvores.
Pois as distâncias não existem para a recordação; e somente o esquecimento é um abismo que nem a voz nem o olho podem atravessar.
Quando a vida não encontra um cantor para cantar seu coração, produz um filósofo para falar de sua mente.
Quando você levantar o braço para bater em seu filho, ainda com o braço no ar, pense se não seria mais educativo se você descesse esse braço de forma a acariciá-lo, em vez de machucá-lo.
Quem não sabe aceitar as pequenas falhas das mulheres não aproveitará suas grandes virtudes.

Somos todos prisioneiros, mas alguns de nós estão em celas com janelas,e outros sem.
Tartarugas conhecem as estradas melhor do que os coelhos.
Trabalho é amor tornado visível.
Um livro é como uma janela. Quem não o lê, é como alguém que ficou distante da janela e só pode ver uma pequena parte da paisagem.

Vossos filhos não são vossos filhos. São os filhos e as filhas da ânsia da
vida por si mesma. Vêm através de vós, mas não de vós. E embora vivam convosco,
não vos pertencem. Podeis outorgar-lhes vosso amor, mas não vossos pensamentos,
porque eles têm seus próprios pensamentos. Podeis
abrigar seus corpos, mas não suas almas; Pois suas almas moram na mansão do
amanhã, que vós não podeis visitar nem mesmo em sonho. Podeis esforçar-vos por
ser como eles, mas não procureis fazê-los como vós, porque a vida não anda para
trás e não se demora com os dias passados. Vós sois os arcos dos quais vossos
filhos são arremessados como flechas vivas. O arqueiro mira o alvo na senda do
infinito e vos estica com toda a sua força para que suas flechas se projetem,
rápidas e para longe. Que vosso encurvamento na mão do arqueiro seja vossa
alegria: Pois assim como ele ama a flecha que voa, Ama também o arco que
permanece estável.


POESIAS DE KAHLIL GIBRAN
Divina Música! Filha da Alma e do Amor.
Cálice da amargura
e do Amor.
Sonho do coração humano,
fruto da tristeza.
Flor da alegria, fragrância
e desabrochar dos sentimentos.
Linguagem dos amantes,
confidenciadora de segredos.
Mãe das lágrimas do amor oculto.
Inspiradora de poetas, de compositores
e dos grandes realizadores.
Unidade de pensamento dentro dos fragmentos
das palavras.
Criadora do amor que se origina da beleza.
Vinho do coração
que exulta num mundo de sonhos.
Encorajadora dos guerreiros,
fortalecedora das almas.
Oceano de perdão e mar de ternura.
Ó música.
Em tuas profundezas
depositamos nossos corações e almas.
Tu nos ensinaste a ver com os ouvidos
e a ouvir com os corações.

Amai-vos...Amai-vos um ao outro,
mas não façais do amor um grilhão.
Que haja, antes, um mar ondulante
entre as praias de vossa alma.
Enchei a taça um do outro,
mas não bebais da mesma taça.
Dai do vosso pão um ao outro,
mas não comais do mesmo pedaço.
Cantai e dançai juntos,
e sede alegres,
mas deixai
cada um de vós estar sozinho.
Assim como as cordas da lira
são separadas e,
no entanto,
vibram na mesma harmonia.
Dai vosso coração,
mas não o confieis à guarda um do outro.
Pois somente a mão da Vida
pode conter vosso coração.
E vivei juntos,
mas não vos aconchegueis demasiadamente.
Pois as colunas do templo
erguem-se separadamente.
E o carvalho e o cipreste
não crescem à sombra um do outro.


O Amor - Quando o amor vos fizer sinal, segui-o;
ainda que os seus caminhos sejam duros e difíceis.
E quando as suas asas vos envolverem, entregai-vos;
ainda que a espada escondida na sua plumagem
vos possa ferir.
E quando vos falar, acreditai nele;
apesar de a sua voz
poder quebrar os vossos sonhos
como o vento norte ao sacudir os jardins.
Porque assim como o vosso amor
vos engrandece, também deve crucificar-vos
E assim como se eleva à vossa altura
e acaricia os ramos mais frágeis
que tremem ao sol,
também penetrará até às raízes
sacudindo o seu apego à terra.
Como braçadas de trigo vos leva.
Malha-vos até ficardes nus.
Passa-vos pelo crivo
para vos livrar do joio.
Mói-vos até à brancura.
Amassa-vos até ficardes maleáveis.
Então entrega-vos ao seu fogo,
para poderdes ser
o pão sagrado no festim de Deus.
Tudo isto vos fará o amor,
para poderdes conhecer os segredos
do vosso coração,
e por este conhecimento vos tornardes
o coração da Vida.
Mas, se no vosso medo,
buscais apenas a paz do amor,
o prazer do amor,
então mais vale cobrir a nudez
e sair do campo do amor,
a caminho do mundo sem estações,
onde podereis rir,
mas nunca todos os vossos risos,
e chorar,
mas nunca todas as vossas lágrimas.
O amor só dá de si mesmo,
e só recebe de si mesmo.
O amor não possui
nem quer ser possuído.
Porque o amor basta ao amor.
E não penseis
que podeis guiar o curso do amor;
porque o amor, se vos escolher,
marcará ele o vosso curso.
O amor não tem outro desejo
senão consumar-se.
Mas se amarem e tiverem desejos,
deverão se estes:
Fundir-se e ser um regato corrente
a cantar a sua melodia à noite.
Conhecer a dor da excessiva ternura.
Ser ferido pela própria inteligência do amor,
e sangrar de bom grado e alegremente.
Acordar de manhã com o coração cheio
e agradecer outro dia de amor.
Descansar ao meio dia
e meditar no êxtase do amor.
Voltar a casa ao crepúsculo
e adormecer tendo no coração
uma prece pelo bem amado,
e na boca, um canto de louvor.


Ainda ontem pensava que não era - Ainda ontem pensava que não era
mais do que um fragmento trémulo sem ritmo
na esfera da vida.
Hoje sei que sou eu a esfera,
e a vida inteira em fragmentos rítmicos move-se em mim.
Eles dizem-me no seu despertar:
" Tu e o mundo em que vives não passais de um grão de areia
sobre a margem infinita
de um mar infinito."
E no meu sonho eu respondo-lhes:
"Eu sou o mar infinito,
e todos os mundos não passam de grãos de areia
sobre a minha margem."
Só uma vez fiquei mudo.
Foi quando um homem me perguntou:
"Quem és tu?"


Os Filhos - (Do Livro "O Profeta" Uma mulher que carregava o filho nos braços disse: "Fala-nos dos filhos."
E ele falou:

Vossos filhos não são vossos filhos.
São os filhos e as filhas da ânsia da vida por si mesma.
Vêm através de vós, mas não de vós.
E embora vivam convosco, não vos pertencem.
Podeis outorgar-lhes vosso amor, mas não vossos pensamentos,
Porque eles têm seus próprios pensamentos.
Podeis abrigar seus corpos, mas não suas almas;
Pois suas almas moram na mansão do amanhã,
Que vós não podeis visitar nem mesmo em sonho.
Podeis esforçar-vos por ser como eles, mas não procureis fazê-los como vós,
Porque a vida não anda para trás e não se demora com os dias passados.
Vós sois os arcos dos quais vossos filhos são arremessados como flechas vivas.
O arqueiro mira o alvo na senda do infinito e vos estica com toda a sua força
Para que suas flechas se projetem, rápidas e para longe.
Que vosso encurvamento na mão do arqueiro seja vossa alegria:
Pois assim como ele ama a flecha que voa,
Ama também o arco que permanece estável.

A Tempestade O pássaro e o homem tem essências diferentes.
O homem vive à sombra de leis e tradições por ele inventadas;
o pássaro vive segundo a lei universal que faz girar os mundos.
Acreditar é uma coisa; viver conforme o que se acredita é outra.
Muitos falam como o mar, mas vivem como os pântanos.
Muitos levantam a cabeça acima dos montes;
mas sua alma jaz nas trevas das cavernas.
A civilização é uma arvore idosa e carcomida,
cujas flores são a cobiça e o engano e cujas frutas
são a infelicidade e o desassossego.
Deus criou os corpos para serem os templos das almas.
Devemos cuidar desses templos para que sejam
dignos da divindade que neles mora.
Procurei a solidão para fugir dos homens, de suas leis,
de suas tradições e de seu barulho.
Os endinheirados pensam que o sol e a lua e as estrelas se levantam
dos seus cofres e se deitam nos seus bolsos.
Os políticos enchem os olhos dos povos com poeira
dourada e seus ouvidos com falsas promessas.
Os sacerdotes aconselham os outros,
mas não aconselham a si mesmos,
e exigem dos outros o que não exigem de si mesmos.
Vã é a civilização. E tudo o que está nela é vão.
As descobertas e invenções nada são senão brinquedos
com a mente se diverte no seu tédio.
Cortar as distâncias, nivelar as montanhas,
vencer os mares, tudo isso não passa de
aparências enganadoras, que não alimentam o
coração e nem elevam a alma.
Quanto a esses quebra-cabeças, chamados ciências e artes,
nada são senão cadeias douradas com os quais o homem
se acorrenta, deslumbrados com seu brilho e tilintar.
São os fios da tela que o homem tece desde o inicio
do tempo sem saber que, quando terminar sua obra,
terá construído a prisão dentro da qual ficará preso.
Uma coisa só merece nosso amor e nossa dedicação, uma coisa só...
É o despertar de algo no fundo dos fundos da alma.
Quem o sente não o pode expressar em palavras.
E quem não o sente, não poderá nunca conhecê-lo através de palavras.
Faço votos para que aprendas a amar as tempestades em vez de fugir delas.

A Abelha e a Flor - Ide pois aos vossos campos e pomares,
e lá aprendereis que o prazer da abelha
é de sugar o mel da flor,
mas que o prazer da flor é de entregar o mel à abelha.
Pois, para a abelha,
uma flor é uma fonte de vida.
E para a flor
uma abelha é mensageira do amor.
E para ambas, a abelha e a flor,
dar e receber o prazer
é uma necessidade e um êxtase

A vinda do navio - Como poderei ir-me em paz e sem pena ?
Não, não será sem um ferimento na alma que deixarei esta cidade.
Longos foram os dias de amargura que passei dentro de suas muralhas, e longas as
noites de solidão; e quem pode despedir-se sem tristeza de sua amargura e de sua
solidão ?
Muitos foram os pedaços de minha alma que espalhei nestas ruas, e muitos são os
filhos de minha ansiedade que caminham, desnudos, entre estas colinas, e não
posso abandoná-los sem me sentir oprimido e entristecido.
Não é uma simples vestimenta que dispo hoje, mas a própria epiderme que arranco
com minhas mãos.
Nem é um mero pensamento que deixo atrás de mim, mas um coração enternecido pela
fome e pela sede.
Contudo, não posso demorar-me por mais tempo.
O mar, que chama a si todas as coisas, está me chamando, e devo embarcar.
Pois permanecer aqui, enquanto as horas queimam-se na noite, seria congelar-me e
cristalizar-me num molde.
De bom grado levaria comigo tudo o que está aqui.
Mas como fazê-lo ? A voz não leva consigo a língua e os lábios que lhe deram
asas.
É isolada que deve procurar o éter.
É também só e sem ninho que a águia voará rumo ao Sol.

Entre as Colinas - Entre as colinas, quando vos sentardes à sombra fresca dos álamos brancos,
partilhando da paz e da serenidade dos campos e dos prados distantes, então que
vosso coração diga em silêncio: "Deus repousa na Razão". E quando bramir a
tempestade, e o vento poderoso sacudir a floresta, e o trovão e o relâmpago
proclamarem a majestade do céu, então que vosso coração diga com temor e
respeito: "Deus age na Paixão". E já que sois um sopro na esfera de Deus e uma
folha na floresta de Deus, também devereis descansar na razão e agir na
paixão.

Sobre a conversação - ...Então, um literato disse: - "Fala-nos da conversação".
E ele respondeu:
- "Vós conversais quando deixais de estar em paz com vossos pensamentos. E
quando não podeis mais viver na solidão de vosso coração, procurais viver nos
vossos lábios, e encontrais então uma diversão e um passatempo nas vibrações
emitidas. Em grande parte de vossas conversações, o pensamento é meio
assassinado. Pois, o pensamento é uma ave do espaço que, numa gaiola de
palavras, pode abrir as asas, mas não pode voar.
Há entre vós, aqueles que procuram os faladores por medo da solidão. A quietude
da solidão revela-lhes seu eu-desnudo, e eles preferem escapar-lhe.
E há aqueles que falam e, sem o saber ou prever, traem uma verdade que eles
próprios não compreendem. E há aqueles que possuem a verdade dentro de si, mas
não a expressam em palavras. No íntimo de tais pessoas, o espírito
habita num silêncio rítmico.
Quando encontrardes vosso amigo na rua ou no mercado público, deixai que o
espírito que esta em vós ponha em movimento vossos lábios e dirija vossa língua.
E que a voz escondida na vossa voz fale ao ouvido de seu ouvido; pois sua alma
guardara a verdade de vosso coração, como é lembrado o sabor do vinho. Mesmo
depois que a sua cor houver sido esquecida, e a taça que o
continha não mais existir.

Desejos do Amor - O amor não tem outro desejo senão o de atingir a sua plenitude.
Se, contudo, amar é precisar ter desejos, sejam estes os vossos desejos:
de se diluir no amor e ser como um riacho que canta sua melodia para a noite...
de conhecer a dor de sentir ternura demasiada...
de ficar ferido por vossa própria compreensão do amor ...
de sangrar de boa vontade e com alegria...
de acordar na aurora com o coração alado e agradecer por um novo dia de amor...
de descansar ao meio-dia e meditar sobre o êxtase do amor...
de voltar para casa a noite com gratidão ...
e de adormecer com uma prece no coração para o bem-amado, e nos lábios uma
canção de bem aventurança ...

O Amigo! E um adolescente disse: "Fala-nos
da Amizade." E ele respondeu, dizendo: "Vosso amigo, é a satisfação de vossas
necessidades.
Ele é o campo que semeias com carinho e ceifais com agradecimento. É vossa mesa
e vossa lareira.
Pois ides a ele com vossa fome e o procurais em busca da paz.
Quando vosso amigo manifesta seu pensamento, não temeis o "não" de vossa própria
opinião, nem prendeis o sim.
E quando ele se cala, vosso coração continua a ouvir o seu coração.
Porque na amizade, todos os desejos, ideais, esperanças, nascem e são
partilhados sem palavras, numa alegria silenciosa.
Quando vos separeis de vosso amigo, não vos aflijais.
Pois o que vós ameis nele pode tornar-se mais claro na sua ausência, como para o
alpinista a montanha aparece mais clara, vista da planície.
E que não haja outra finalidade na amizade a não ser o amadurecimento do
espírito.
Pois o amor que procura outra coisa a não ser a revelação de seu próprio misté
rio não é o amor, mas uma rede armada, e somente o inaproveitável é nela
apanhado.
E que o melhor de vós próprio seja para o vosso amigo.
Se ele deve conhecer o fluxo de vossa maré, que conheça também o seu fluxo.
Pois, que achais seja vosso amigo para que o procureis somente fim de matar o
tempo? Procurai-o sempre com horas para viver.
Pois o papel do amigo é o de encher vossa necessidade, e não vosso vazio.
E na doçura da amizade, que haja risos e o partilhar dos prazeres.
Pois no orvalho de pequenas coisas, o coração encontra sua manhã e se sente
refrescado.

Sobre o conhecimento de si - Então, um homem disse-lhe:
Fala-nos do conhecimento de si. E ele respondeu:
Os vossos corações conhecem, no silêncio,
os segredos dos dias e das noites.
Mas os vossos ouvidos têm sede de ouvir finalmente
o eco do saber dos vossos corações.
Gostaríeis de saber pelo verbo
o que sempre soubeste pelo pensamento.
Gostaríeis de sentir com os dedos
o corpo nu dos vossos sonhos.
E está certo que assim o queirais.
A fonte oculta da vossa alma deve necessariamente
jorrar e correr a murmurar para o mar;
e o tesouro das vossas profundezas infinitas
revelar-se aos vossos olhos.
Mas que não haja balança
que pese o vosso tesouro desconhecido;
e não procureis explorar os abismos do vosso saber
com a vara ou com a sonda,
pois o eu é um mar sem limites e sem medida.
Não digais: "Encontrei a verdade",
mas antes: "Encontrei uma verdade."
Não digais: "Encontrei o caminho da alma."
Mas antes: "Cruzei-me com a alma que seguia pelo meu caminho."
Pois a alma percorre todos os caminhos.
A alma não caminha sobre uma linha
nem se alonga como uma vara.
A alma abre-se a si própria
como se abre um lótus de inúmeras pétalas.

AMOR

O Amor ENTÃO Almitra disse:-Fala-nos do Amor.
Ele levantou a cabeça e olhou o povo; um silêncio caiu sobre eles. E disse com voz forte:
Quando o amor vos fizer sinal, segui-o;ainda que os seus caminhos sejam duros e escarpados. E quando as suas asas vos envolverem, entregai-vos; ainda que a espada escondida na sua plumagem vos possa ferir. E quando vos falar, acreditai nele; apesar de a sua voz poder quebrar os vossos sonhoscomo o vento norte ao sacudir os jardins. Porque assim como o vosso amor vos coroa, também deve crucificar-vos. E sendo causa do crescimento, deve cuidar também da poda. E assim como se eleva à vossa altura e acaricia os ramos mais tenrosque tremem ao sol, também penetrará ate às raízes sacudindo o seu apego a terra. Como braçadas de trigo vos leva. Malha-vos até ficardes nus. Passa-vos pelo crivo para vos livrar do palhiço. Mói-vos até à brancura. Amassa-vos até ficardes maleáveis. Então entrega-vos ao seu fogo, para poderdes sero pão sagrado no festim de Deus. Tudo isto vos fará o amor, para poderdes conhecer os segredos do vosso coração,e por este conhecimento vos tornardes um bocado do coração da Vida. Mas, se no vosso medo, buscais apenas a paz do amor, o prazer do amor, então mais vale cobrir a nudeze sair da eira do amor, a caminho do mundo sem estações, onde podereis rir, mas nunca todos os vossos risos, e chorar, mas nunca todas as vossas lágrimas. O amor só dá de si mesmo, e só recebe de si mesmo. O amor não possuinem quer ser possuído. Porque o amorbasta ao amor. Quando amardes, não digais:-Deus está no meu coração, mas antes:- Eu estou no coração de Deus. E não penseis que podeis guiar o curso do amor; porque o amor, se vos julgar dignos, marcará ele o vosso curso. O amor não tem outro desejos e não consumar-se. Mas se amardes, e tiverdes desejos, deverão ser estes: Fundir-se e ser um regato correntea cantar a sua melodia à noite. Conhecer a dor da excessiva ternura. Ser ferido pela própria inteligênciado amor, e sangrarde bom grado e alegremente. Acordar de manhã com um coração alado e agradecer outro dia de amor. Descansar ao meio dia e meditar no êxtase do amor. Voltar a casa ao crepúsculo com gratidão;e adormecer tendo no coração uma prece pelo bem amado e um canto de louvor na boca.

PESSOAS - PASSAGEM...

Cada um que passa em nossa vida, passa sozinho, pois cada pessoa é única e nenhuma substitui a outra. Cada um que passa em nossa vida, passa sozinho, mas quando parte, nunca vai só nem nos deixa a sós. Leva um pouco de nós, deixa um pouco de si mesmo. Há os que levam muito, mas há os que não levam nada.




Ide para os vossos campos e jardins e aprendereis que o prazer da abelha consiste em retirar o mel da flor. Mas também a flor tem prazer em dar o seu mel à abelha.Pois para a abelha a flor é uma fonte de vida. E para a flor a abelha é mensageira de amor.E, para ambas, abelha e flor, o dar e o receber de prazer é uma necessidade e um êxtase.

SILÊNCIO - GIBRAN

Aprendi o silêncio com os faladores, a tolerância com os intolerantes, a bondade com os maldosos; e, por estranho que pareça, sou grato a esses professores.

AMIZADE - GIBRAN

O amigo é a resposta aos teus desejos. Mas não o procures para matar o tempo! Procura-o sempre para as horas vivas. Porque ele deve preencher a tua necessidade, mas não o teu vazio.